Meu herói

Quando meu marido perguntou: – O que você quer fazer pra comemorar os 3 anos de casados? Eu logo retruquei: – O que você tem em mente? Como o primeiro ano comemoramos em um restaurante italiano, o segundo ano comemoramos em um restaurante japonês, para mim, a resposta mais óbvia seria diversificar o menu. Chutaria algo entre tailandês e nordestino. Ele: – Estava pensando em irmos a praia.

Na hora meu pensamento voou longe. Das últimas vezes que fomos ao Guarujá não foram uma boa, ótima, brilhante ideia assim. Há 2 anos uma moto bateu no carro da minha tia e passamos a tarde na delegacia. 1 ano atrás minha cunhada bebeu água do mar e passamos 2 dias e noites e madrugadas no pronto socorro que fedia a bêbados. Mas como não sou uma pessoa apegada às lembranças ruins, e meu médico insistiu que eu tomasse um solzinho pra repor as vitaminas D em falta no meu organismo, não só topei a aventura de acordar às 7h da manhã como comecei logo a arrumar a mochila.

No outro dia a viagem correu super bem. Às 9h30 já tínhamos escolhido o melhor quiosque da praia da Enseada e sentado confortávelmente embaixo da palhoça. O clima também contribuiu, fazia uns 24 graus. Tiramos algumas fotos, ficamos ali contemplando as belezas da natureza, e resolvemos dar um mergulho. Meu marido pediu ao dono da barraca que guardasse a nossa mochila enquanto fossemos nadar. Ele, prontamente atendeu, guardando em seu escritório. Aproveitamos para pedir uma moqueca de cação para o almoço e para quando ficasse pronto que fosse servido no restaurante. Ah, a barraca da Tia Chica tem o melhor atendimento de Guarujá, mas os preços são um pouco salgadinhos. Um copo de suco por 10 reais???? Como diz o ditado: quem está no mar é pra se molhar.

E nos molhamos. O mar estava congelante, mas depois que a água passa do umbigo a gente acaba se acostumando. Só descobri que não estava pra peixe quando nadei muito pouco e senti que já não dava mais pé. Meu marido estava sempre do meu lado e fez de tudo para eu não me apavorar. – Amor, nade peito. Nadei, nadei, nadei e não sai do lugar. – Meu bem, tente braço duplo de costas. Nadei, nadei, nadei e nada. – Preta, aproveite quando a onda quebrar e vai de cachorrinho mesmo. Nadei, nadei, nadei e eu parecia ser puxada mais para o fundo ainda. Foi aí que tentei craw e o resultado era créu, créu, créu, créu, créu, velocidade 5. Na minha cabeça só se passava: – Passo a semana fazendo aulas de natação para quê? Na cabeça do nego só se passava: – Se ela desesperar e segurar no meu pé, já era para os dois. Vou ter que chamar aquele surfista sarado para colocá-la na prancha e levá-la até a beirada. Não sei se o pensamento dele foi alto demais mas olhei para o lado e não gostei do platinado no cabelo do surfista, me dando forças para conseguir sair dali sã e salva e, melhor ainda, com as partes do biquine no seu devido lugar.

Tomamos uma ducha, fomos almoçar (o peixe estava sem sal mas eu já tinha engolido sal suficiente para a próxima semana), e depois ainda tiramos uma sonequinha. Às 4h da tarde, a única preocupação do meu marido era acompanhar a sombra da palhoça que já dava no vizinho. A minha preocupação era ver que horas o pessoal do bar trocaria o CD do Sambô que já tocava pela terceira vez. Conversávamos se o ano que vem é realmente o momento ideal para abrirmos a fábrica de filhos, quando vi um cara passando com um mochila bem parecida com a nossa ao meu lado.

Segue diálogo em câmera lenta.

Eu: – Aquela mochila parece a nossa.

Neste momento a fala se acelera, a voz sobe uns 3 tons e os olhos se arregalam.

Eu: – Aquela é a nossa mochila.

Com a mesma velocidade, meu marido olha para o quiosque, olha para o rapaz e não tem mais olhos pra nada. Ativou o super herói, modulo pega ladrão. Deu um assovio e gritou.

Ele: – Parado aí.

Bom, como o ladrão não obedeceu. (ah, sério! jura?) meu marido pensou: “Vou ter que correr… ai meus 35 anos”.

E correu. Correu com todas as forças que tinha. Correu e gritou e correu e levou um tropeção na areia e virou nego a milanesa e continuou correndo. A estratégia era alcançar o ladrão e passá-lo uma rasteira. Mas ele disse que só listava: “Na mochila tem a chave do carro, a chave de casa, minha carteira com todos os documentos, cartão de crédito, dinheiro, celular, mas se eu não recuperar a máquina fotográfica da Ellen, ela nunca vai me perdoar”.

Na hora ele nem pensou se o ladrão tinha alguma arma ou se era campeão de MMA (desculpe tios e avós), mas reação é reação. E foi bonito de ver todo mundo se levantando para correrem juntos atrás do ladrão. Quando o ladrão entrou uns 3 barzinhos a frente e se viu encurralado por 5 funcionários, 11 garis e uns 7 banhistas, ele jogou a mochila no chão e fugiu por um buraco na parede.

Mas quem disse que união não faz a força? Tem gente que não desiste tão fácil e foi nosso garçom que acabou capturando o ladrão e entregando a 4 policiais a paisana, que anotaram nossos dados e perguntaram se queríamos fazer um B.O. na delegacia. Prontamente recusamos. Chega de emoções por um dia. Pagamos a conta e voltamos para São Paulo. Lar “tranquilo” lar.

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5 opiniões sobre “Meu herói

  1. Que doideira. Imagina se vc nao reconhecesse a mochila? :O
    O cara também foi muito burro, devia ter corrido pra calçada.
    Mas que bom que deu tudo certo, senão vocês estariam esta hora de calção e biquine, sem dinheiro, sem comida e sem como voltar pra casa, andando por Guarujá.

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