Dói, dói, João jiló

Minhas costas doem. Deve ser por isso que estou insuportável a nada mais, nada menos que 2 meses. Pergunte para quem é obrigado a conviver comigo no dia a dia. Alguns vão dizer que achavam que era uma TPM, mas depois de algumas semanas começaram a duvidar de hormônios tão diabólicos. Outros irão atribuir o mal ao trabalho. Deve estar na corda bamba na empresa, deve estar faltando dinheiro na carteira. Alguns vão dizer que foi por causa da cirurgia. Ficar sem comer doce, tomar refrigerante e ainda ter obrigação de caber numa calça 44. Mas eu posso garantir que o mal é da idade. Dizer que depois dos 31 me tornei intolerável. A família tenta entender, perdoar ou simplesmente aceitar. Mas tá difícil. Sei que está. Ops, sei que estou.

Estou na fase do “eu não me aguento”. Minha dose de paciência com piadas sem graça beiram o abismo. Minha falta de tato com mulheres histéricas está a flor da pele. A língua sempre afiada com quem dá uma rata atrás da outra me tira do patamar de irônica para o de sem escrúpulos. Velha. Velha. Velha.

Agora eu consigo ver a maldade nas pessoas e estou lá para apontar o erro ou fazer um pré julgamento. Quem tinha medo que eu sofresse alguma decepção por ser ingênua demais, agora se arrepende da decepção por enxergar tanta verdade ser maior ainda.

Sou aquela que aguenta conviver uns 40 minutos com a namorada do amigo, mas depois deste tempo acaba confessando que se pudesse interferir ele não teria a escolhido.

Fazer “sala” para quem não gosto não dá mais. Ligo a TV, leio um livro ou vou dormir. É quando volto a insistir: estou velha.

Afastei todos os meus amigos, pois odeio falar ao telefone e quando ligam eu não atendo. E os poucos que me restaram (insistentes e corajosos) logo irão perceber: estou velha. Velha demais para baladas. Velha para ficar 9 horas no bar. Velha até para os bêbados (coitados, eles não sabem o que dizem). Nem eu. A diferença é que não sou perdoada por isso.

Quando me vejo ali, sentada, impaciente, tintilando os dedinhos sob a mesa, fazendo caretas quando algo me contraria, irritada por pouquíssima coisa, sem achar graça em nada, eu logo penso: estou velha. Porque sou exatamente a figura da pessoa que sempre critiquei, porque estou me tornando cri cri, cheia de mimimi, e não consigo manter minha boca fechada. Caraca, como estou velha! Eu que não queria estar conversando comigo nesta hora. Pior. Eu que não queria ser eu.

O pior é saber que a idade chega. Eu ainda nem fiz 32. E quando eu tiver 70, vou lembrar de quando eu estava na flor da idade e já era velha. Só espero que até lá eu esteja um pouco mais madura e as pessoas que me acompanharem permaneçam jovens ou pelo menos me compreendam. Porque eu juro, não queria ser tão velha assim.

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5 opiniões sobre “Dói, dói, João jiló

  1. Humpfffff…verdade que a vida vai tornando a gente mais seletista e menos tolerante…mas VELHA???
    Pára já com isso!!!Sou sua tia com artrose na coluna(descobri ontem-sniff) e não sou velha…sou é cheia de vontade de passear, dar risadas, viajar e tudo que jovem gosta…..Bjcas….

    • Eu descobri ontem também, mas foi uma hiper lordose. Agora tenho que fazer fisioterapia 3 vezes na semana e só depois fazer 2 raios X que o ortopedista pediu para ver se eu não tenho uma artrose também. Mas minhas tias são as mulheres mais lindas e mais jovens que existem. Com sorte, eu chego lá.

  2. Eu acho que é mal dos filhos de Cáritas e José. Dos filhos intolerantes, pelo menos. Hahaha. Porque sempre me senti velho demais e sem paciência demais desde o ensino médio e, cada dia que passa, eu acho que minha paciência é ainda menor com as pessoas. Maaas, relaxa. É assim mesmo. O que você tem que aprender agora não é em ter mais paciência, mas em como fingir que ainda existe em você. 🙂

    Beijos, te amo!

  3. Nossa amiga, juro que eu pensei que você estava falando de outra pessoa… credo!! você não é assim não!!! isso é só uma fase! Existe uma diferença entre envelhecer e amadurecer, nos conhecer melhor e saber nos respeitar é amadurecimento e isso é ótimo, é só saber dosar as atitudes reativas… beijos com saudades
    Carol Gomes

  4. Olá querida, bom dia, que bom que você acordou e está exergando melhor. O que você sente não é velhice, é intolerância a coisas que não te acrescentam mais nada. Bom sinal, sinal de mudanças significativas, amadurecimento. Crescer DÓI!

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