Aonde você mora?

Hoje acordei com a música do Cidade Negra na minha cabeça: “Aonde você mora? Aonde está você? Eu tenho que ir embora, mesmo querendo ficar, aaa aaa aaa”, mas a verdade é que bem difícil encontrar o lugar que você vai viver pelos próximos 2 anos e meio.

Conhecendo, como cliente, o mercado imobiliário aqui de São Paulo, sei que se você gosta de algum apê precisa assinar o contrato na hora. Ou seja, acabou de visitar o imóvel, convença o corretor de que você mereça morar naquele lugar, que ele deve negar o pedido dos outros 3 casais interessados e começar para já a avaliar suas documentações. Sim, você tem 2 fiadores, um locatário com imóveis espalhados por todo mundo, você tem ótimas referências de ter entregue o último apê em excelentes condições, você não é mais nenhum adolescente perturbado e não tem filhos. Bom, mas isto tudo é no caso de você gostar do apê.

A verdade é que nem sempre nos apaixonamos à primeira vista por uma cozinha que mal cabe o fogão, um banheiro estilo rococó com florzinhas azuis bidê, armários com as portas tortas quase caindo aos pedaços, infiltrações, mofos, cupins, um quarto minúsculo e barulhento. Tanto pelo busão que tem ponto bem na frente do prédio, quanto pela balada ao lado que começa o trance às 2h da manhã, bem na hora que termina as festinhas de criança no salão do outro lado. Ah, e para completar não tem área de lazer, o elevador para sempre entre dois andares e não existe vaga fixa para carros, podendo ficar no sol dia sim e outro também.

Onde eu moro é muito bom. Vou sentir saudade das cores, da piscina, da esteira ergométrica, do supermercado em frente e do shopping logo mais. Mas, no momento, tudo que consigo é me preocupar se ao entregar o apê precisarei retocar a pintura de cada parede colorida, se a piscina que usei 3 vezes em 3 anos virará um clube privê, se terei onde fazer exercícios sem gastar 500 reais de academia, e o quanto sentirei saudade da vizinhança (principalmente da Taís, que mesmo vendo pouco a minha amiga, sei que ela está lá).

Mas agora preciso definir minhas prioridades. Já não me cabe em um apê de 1 quarto com 42 metros quadrados. Já não consigo enfrentar o trânsito quando vou e volto do serviço com emoção. Já ficou insuportável ter 2 horas de almoço e só aproveitar 10 minutos dele por não saber o que fazer e nem ter um cantinho para descansar.

Então, em troca preciso desembolsar mil reais a mais, aguentar algumas buzinas durante a madrugada e barulhos de obra o dia todo. Ganhe-se no conforto, na tranquilidade. Perde-se na falta de móveis e de lazer.

O pior é quando tenho menos de 1 mês para encontrar o novo apê, assinar os papéis, encaixotar as coisas, faxinar a casa, fazer a vistoria, me mudar e ainda sentir que fiz a escolha certa, ter a certeza que serei feliz enquanto durar o contrato.

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