O começo de uma nova vida – Episódio 3 – Primeira temporada

Conseguir os laudos não foi tão fácil quanto eu pensei. Na verdade, não foi nada fácil.
Percebi que alguns eu não consegueria na primeira consulta e por isso tive que me organizar. Não dava pra ficar indo para Goiânia, no meio da semana, toda vez que eu precisasse fazer um exame.

O primeiro laudo foi da cardiologista. Fui até Uberlândia, em um sábado, fazer o exame de esteira e resistência do meu coraçãozinho. Tudo bem que correr por 10 minutos não deveria me deixar tão exausta, mas isso indicava apenas falta de condicionamento. Depois, medi a pressão e vi que 13 por 8 é o novo 12 por 8, ou seja, não era tão alto assim. 

Consegui uma psicóloga alimentar para às 7h da manhã e uma nutricionista para às 8h da manhã, aqui em São Paulo mesmo. A nutricionista porque ia me acompanhar durante toda reeducação alimentar (ou seja, forever) e a psicóloga porque demandaria em 8 consultas entre marcar X e fazer desenhos de quem sou e como vejo o mundo em minha volta.

Como eu tinha que andar bastante para chegar no consultório e acordar 2 horas mais cedo para não me atrasar para o serviço, tentava ver o lado positivo daquilo tudo. Ser 100% honesta comigo mesma era um bom começo. O que eu mais ouvia era: Você não vai mentir para psicóloga só para ganhar um laudo, não é mesmo? E como a minha vida está pautada em agradar gregos e troianos, fiz o que me pediram.

No último dia de consulta, a psicóloga me insultou de todas as formas, como posso dizer, falou o resultado de todos os testes que fizemos durante dias. Que eu era regredida, impulsiva, inconstante, fantasiosa, ansiosa, dependente. Eu quase chorei, quase me rebelei, quase chamei a mulher de doida equivocada, mas pelo menos saí de lá com o laudo, me sentindo uma criança de 4 anos incapaz de atravessar a rua porém vitoriosa com o pirulito colorido na mão.

Já a nutricionista me proibiu de comer carboidratos, queijos, refrigerantes, doces… e falou tão sério que eu acreditei mesmo que no outro dia já estaria odiando aqueles alimentos todos e estaria magra como uma porta. 

Quantas vezes você já não fez isso na vida? Ouvir um profissional dizendo que você precisa comer de 3 em 3 horas e que agora só vai usar alimentos que fazem bem para o seu corpo e quando saiu de lá teve a certeza que sua vida ia mudar completamente, se despedindo da última lasanha, nuggets, coca e brigadeiro da sua vida e convencendo os familiares e amigos a entrarem com você nesta aventura, considerando até um insulto se lhe oferecerem alguma delicisinha proibida.

Bom, comigo não foi diferente. NUNCA foi diferente. Perco mais tempo julgando o profissional. Se é simpático o bastante, competente o suficiente, atencioso o necessário, se ele conseguiu me compreender (já que meu problema não é o mesmo de todo mundo) ou se apenas imprimiu uma dieta que distribui pra quem pagar mais e que nas revistas femininas é milhões de vezes mais elaborado.

O laudo da nutricionista dizia: comece a tomar sopas batidas e coadas, gatorades, água de coco e gelatina (apenas liquidos) para se acostumar com a dieta pós-cirurgica e após 15 dias volte para eu dar a próxima etapa do tratamento. Se você pensa que adiantou eu dizer “- daqui 15 dias estarei na casa da minha mãe, vou ficar 1 mês me recuperando” está enganado, ela fingiu que nem me ouviu e que estava pouco se importando se a distância entre goiânia e são paulo eram de mil quilômetros. Nos vemos em 15 dias – disse ela. 

Isto, para mim, significou apenas uma coisa. Eu nunca mais colocaria os pés naquele consultório. 

Faltava apenas 3. A pneumologista, a endocrinologista e a fisioterapeuta. Minhas férias estavam aí pra isso. Não precisaria esperar tanto.

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