Compromissos

Está muito quente lá fora. A aliança rompe meu dedo como se quisesse descansar no copo do aparelho de dentes. Muita coisa está passando pela minha cabeça ao mesmo tempo. Não estou triste. Mas não tenho a menor noção do que posso fazer para te deixar feliz. Ficar feliz e permanecer ali, neste estado de espírito pelas próximas 12 horas. Ou 24. Já que vou dormir e você fica aí, absorto em mais um dia que se passou e não pode aproveitá-lo.

Somos jovens demais. Tentamos enraizar essa ideia na cabeça, cavando fundo e jogando terra preta em cima dos nossos medos. Mas não é tão simples assim. O termômetro indica 39 graus. Que inverno é esse dentro de mim que me faz gelar quando preciso tomar alguma atitude? Anseio pela chegada da estação de flores.

Me imagino chegando em casa depois de um dia exaustivo e no lugar da aliança ou do aparelho de dentes, são elas que descansam no copo d’água. Imaculadas. Como qualquer boa intenção. Com sorte, você a reconhece como um cego tateando as linhas da face, o contorno da alma, e tem um olfato tão aguçado pelos anos que não enxergou que consegue sentir o perfume. Mais que isso, consegue materializar o perfume em sonho.

Me abraça. Estou no exato lugar onde deveria estar.

Vou me deitar, e o sono me vence de algum jeito.

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