Mais uma de saudade

“Os dois sabem que é perda de tempo tentar esquecer. Que sentir saudade não significa que melhoraram como pessoa, que agora seus temperamentos são compatíveis e o correto seria viver aquilo tudo de novo, do êxtase à dor. Significa apenas que foi bom, que foi inesquecível. E que qualquer amor que força as cordas vocais a produzirem um eu te amo não tem fim, mesmo acabando sempre do mesmo jeito, dividido por dois”.

Quando você ama se torna um só. Esta é a teoria romântica de que dividem os mesmos interesses e caminham para um mesmo sentido. Para mim, você continua sendo você, ele continua sendo ele, com seus defeitos e qualidades, principalmente defeitos. A diferença está que você se torna mais flexível. Fica mais fácil abrir mão de algumas teorias de conspiração para ver o outro feliz. Se ainda por cima você receber o reconhecimento de que foi o causador dessa felicidade, tudo passa a fazer ainda mais sentido.

Sim, o amor é sem sentido. Não justifica tentar explicá-lo. Mas ceder é aquele momento em que cessam os joguinhos e você realmente se importa com o que o outro quer, pensa e deseja. Em algum momento, que não sei precisar bem, neste quando absoluto e fundamental, você se encherga no outro.

Agora ele não deixa as camisetas espalhadas pela casa que tanto a irritavam, e você não pisa no chão gelado por saber que é sujo e pode pegar uma gripe. Ele passou a gostar de penne ao pesto porque você não suporte spagethi a bolonhesa, e você coloca o plástico do supermercado no lixinho do banheiro. Ele não reclama das suas calcinhas dependuradas no box, e você até gosta da televisão ligada depois da meia noite com aquela luzinha que não te deixava dormir. Você não só aprende a tolerar, como passa a compreender, a aceitar, até a gostar.

Impreterivelmente, é mais fácil cairem na rotina do que manterem uma relação quente e impulsiva. O lance é: o que fazer pra sair dela? mesmo que só uma vez por mês, depois que seus dias forem iguais as noites, regadas de coca-cola, novela das oito, cabelo molhado e pé estirado no sofá.

E derepente, sem avisar, o mundo de vocês pode seguir diferentes caminhos. Não sei o tamanho das suas pernas, mas um passo na direção errada pode ser determinante. Ele vai chorar. Você vai chorar. Mas se houver amor, saberão sobreviver, cada um com sua orelha direita, contando histórias de nós dois para a orelha esquerda.

O tempo vai passar (lorota essa de que o tempo faz a gente esquecer). Vai continuar passando. E a saudade vai bater. Porque tapinha de amor não dói, mas se um dia houve amor, esta saudade vai te espancar.

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